No meio de tanta cor, luz e movimento, foi este pequeno desenho que me fez parar.


Visitei a exposição imersiva sobre Tarsila do Amaral. É uma experiência linda: em alguns momentos, você tem a sensação de estar entrando nas obras dela.
Mas, entre tantas imagens e estímulos, fiquei especialmente encantada com os registros de viagem que ela guardava.
Este desenho da foto é de 1926, feito durante uma viagem pelo Mediterrâneo e Oriente Médio. Tarsila registrava o que encontrava pelo caminho e guardava bilhetes, cartões, postais e outros pequenos vestígios de suas viagens.
No áudio da exposição, uma coisa me chamou especialmente a atenção: o contato com outros lugares, formas e referências ampliou aquilo que ela conhecia até então.
E fiquei pensando no quanto isso também acontece com a gente.
Às vezes procuramos novas ideias olhando ainda mais para aquilo que já conhecemos.
Mais um livro da nossa área, mais uma aula, mais uma referência parecida com as que já temos.
Mas repertório também se constrói quando você muda aquilo que coloca diante dos seus olhos.
Uma exposição, uma viagem, uma conversa com alguém que pensa diferente, uma rua por onde você nunca passou.
Você não precisa viver essas experiências procurando alguma utilidade para elas.
Algumas simplesmente ficam.
E, em algum momento, podem provocar uma ideia ou fazer você enxergar de outro jeito aquilo que já fazia.



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